Eu nunca fui dessas criaturas que sempre souberam o que queriam, dessas de grandes traumas que realinham ou justificam os trajetos da vida, muito menos das que tiveram desde as fraldas traços firmes e retos de personalidade.
Ainda hoje tenho dificuldades em escolher o quitute da padaria aqui do lado e me pego em pernas trêmulas quando mal piso no estabelecimento e, assim de susto, sou arrebatada pelo mais que veloz “vai querer o quê?” da atendente, mesmo sabendo de cor cada gosto de cada quê. Que dirá escolher o que se ser pelo resto de uma vida.
Bem me disse aquele professor de olhos de vidro: ser é um estado, não uma constante.